segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
"Enche os teus olhos com cada coisa e guarda na tua memória esta data, porque muitos acontecimentos acabariam por não ser nunca se este não fosse um dia, um mês ou uma ano de referência. Recorramos ao Sol e à Lua como pontos fixos de referência contra a linha reta do tempo, de modo a poder dobrá-la e fazer regressar as recordações perdidas. Mas nunca nada volta! Só te resta desfazer-te em lágrimas ou seguir avante sorrindo."
Naguib Mahfouz
sábado, 10 de agosto de 2013
| Aurora boreal |
Tenho quarenta janelas
nas paredes do meu quarto.
Sem vidros nem bambinelas
posso ver através delas
o mundo em que me reparto.
Por uma entra a luz do Sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas
que andam no céu a rolar.
Por esta entra a Via Láctea
como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão.
Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza
que inunda de canto a canto.
Pela quadrada entra a esperança
de quatro lados iguais,
quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais.
Pela redonda entra o sonho,
que as vigias são redondas,
e o sonho afaga e embala
à semelhança das ondas.
Por além entra a tristeza, por aquela entra a saudade, e o desejo, e a humildade, e o silêncio, e a surpresa, e o amor dos homens, e o tédio, e o medo, e a melancolia, e essa fome sem remédio a que se chama poesia, e a inocência, e a bondade, e a dor própria, e a dor alheia, e a paixão que se incendeia, e a viuvez, e a piedade, e o grande pássaro branco, e o grande pássaro negro que se olham obliquamente, arrepiados de medo, todos os risos e choros, todas as fomes e sedes, tudo alonga a sua sombra nas minhas quatro paredes. Oh janelas do meu quarto, quem vos pudesse rasgar! Com tanta janela aberta falta-me a luz e o ar. António Gedeão |
domingo, 28 de abril de 2013
domingo, 21 de abril de 2013
Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
(...)
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
(...)
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.
Sophia de Mello Breyner Andresen
segunda-feira, 18 de março de 2013
Pensamento
Quando no céu há nuvens grandes, isoladas,
aumentam a noção de distância, de grandiosidade,
e dão-nos a ideia de um mundo encantado,
quase de contos de fadas em que os jardins são os bosques,
e as árvores são imensas,
como se a natureza estivesse mais próxima,
mostrando-nos que somos essa mesma natureza...
Quem terá reparado nisso nesta manhã solitária
comigo sozinho a rolar, com Mozart
e com a tua existência em mim...

Fg
sexta-feira, 15 de março de 2013
Já escondi um Amor com medo de perdê-lo
Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por
escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de
nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz,
ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me
amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já
tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me
arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde
chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar
nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes
falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou
para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo
feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem
precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo
do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui
inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem
realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela
não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não
eram... Algumas pessoas nunca precisei
chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque
sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com
os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais
poderosas, das ideias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos
sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!
Clarice Lispector
Clarice Lispector
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Sempre o mesmo
Por vezes tudo pára!!
Pára...
Como se tudo se suspendesse,
Como se não houvesse vento nem chuva nem tempo!
Curioso...como preciso de tempo para estas paragens em que o tempo pára...
Pensar...pensar...
O que será que sinto?
Nada? Tudo?
Preciso de me fechar para que tudo páre,
Outra e outra vez...
Muros, paredes, enquistamentos, casulos,
Vários os nomes para estas pausas de tempo
Em que o tempo, curiosamente e inexoravelmente passa!
Sempre o mesmo, quando parece que não...
FG 2013
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Desalento
Desalento..
Cedências...
Novamente este desalento que me invade...
Porquê?
Um toque de beleza
No meio da minha confusão...
Sinal de quê?
reconcilio-me comigo?
Rutter, Fauré,
Sempre os Requiem
Obsessivamente
Sombras de desgosto e desilusão
a felicidade? Aonde está?
FG 2013
Cedências...
Novamente este desalento que me invade...
Porquê?
Um toque de beleza
No meio da minha confusão...
Sinal de quê?
reconcilio-me comigo?
Rutter, Fauré,
Sempre os Requiem
Obsessivamente
Sombras de desgosto e desilusão
a felicidade? Aonde está?
FG 2013
A busca
A minha alma dilui-se no vento e na chuva,
Conseguirei ir atrás,
ao tempo da minha infância,
em que tudo era o que era?
Agora busco o infinito...
Na chuva?
No vento?
Na luz do entardecer?
Na desilusão do adiar constante?
Está em mim,
tenho a certeza,
e hei de descobrir...
Mas o quê?
FG 2013
Conseguirei ir atrás,
ao tempo da minha infância,
em que tudo era o que era?
Agora busco o infinito...
Na chuva?
No vento?
Na luz do entardecer?
Na desilusão do adiar constante?
Está em mim,
tenho a certeza,
e hei de descobrir...
Mas o quê?
FG 2013
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Não Sei
Não sei. Pareceu-me que ali só se podia viver voltado para dentro, e com essa mania que tenho, imaginei imediatamente o fluir intenso e sério de uma história de amor naqueles lugares, alguém que me tivesse pegado na mão, e que num recanto qualquer partilhasse comigo a paz, só isso.
GonzaloTorrente Ballester
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
As velhas janelas
A noite cai
e vejo as velhas janelas sempre
até para que eu as veja se lá estiver,
ou sabem lá se estou ou não ali?...
mas dão-me calma, saber que existem sempre
estas velhas janelas na escuridão da noite que cai!
Que é que eu busco?
FG 2013
FG 2013
Felicidade
Felicidade, aonde estás?
sei que é em mim que a buscarei,
mas sempre esta insegurança,
sempre esta instabilidade!
Farto de fármacos!...
Não sei quanto tempo aguentarei mais isto.
Por mim?
Por vós?
Por ti?
FG 2013
FG 2013
Só
Só!
Sinto-me cada vez mais só...
Sem ti estou só
Contigo estou só
Afinal o só é a verdade...
Como é que eu não vejo isto ???
FG 2013
Desilusão
Afinal é Desilusão. Sempre...
Afinal aonde está a luz?
No fácil?
Sempre aquele duelo Nathanael/Zenão...
Sempre aquilo que eu calo
Sempre este medo que me impede
Sempre esta retração que me tolhe...
FG 2013
FG 2013
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